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Super carros
Coluna do Chico Lelis: Será que foi mesmo o saci?

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  • Publicado: 18/07/2019
  • Atualizado: 18/07/2019 às 12:25
  • Por: Chico Lelis

Isso aconteceu no campo de provas de uma montadora no Interior de São Paulo, em meados dos anos 80. Entre os vários testes havia um para verificar se a vedação impedia a entrada de pó nos automóveis. Era feito com o que havia de melhor na época: uma picape seguia à frente, na estrada de terra, levantando toda a poeira do mundo.

Como? Arrastava uma espécie de trave “forrada” por folhagens e galhos de árvores, que causava o efeito necessário para o teste de isolamento do veículo. A pista tinha cerca de 4 km de extensão, toda a em terra, com pedregulhos, irregular e perfeita para avaliações dos veículos fora de estrada e a pesquisa em questão, pois a região é de pouca chuva e poeira lá é o que não falta.

Daí, o carro seguia a picape ou melhor, a poeira. Curvas para a direita, para esquerda, em frente, subidas e descidas. Tudo que a poeira fazia, o engenheiro do carro fazia igual.

Ao final, todo ele era analisado, interior, porta-malas, capô. Tudo mesmo, tal qual faz o pessoal do CSI na “cena do crime”, só faltando mesmo o “Luminol”, mas não era o caso de se descobrir sangue, e sim o pó que conseguisse furar o bloqueio projetado pela Engenharia da fábrica visando garantir o conforto e bem estar dos ocupantes do veículo.

Bem, seguindo as regras do campo de provas, o condutor do carro “perseguia” a poeira, sem enxergar absolutamente nada. Nada mesmo! Só o pó. Eu cheguei a acompanhar um teste desses. Algo assustador.

Não havia problemas com aquele tipo de trabalho e, na maioria das vezes, a engenharia havia acertado a questão do isolamento, nem poeira o “testador” cheirava.

Só que, num dia qualquer, quando a picape virou para a esquerda, um vento forte soprou reto e a poeira, ao invés de seguir a picape, se lançou em frente, seguida pelo carro em teste, que foi parar num barranco. E o motorista da picape, inocentemente, também seguiu em frente só percebendo que acontecera, quando o carro parou no barranco.

Soltou o cinto de segurança e, assustado, mas ileso, sem nem mesmo um arranhão, e também sem nada entender, o engenheiro saiu do carro. E chegou à conclusão que fora uma apenas uma lufada, muito forte, de vento que fizera aquela “traquinagem” e desaparecera.

Ficou esperando que fossem rebocar o veículo do teste. Como a pista ficava no meio do mato, ele chegou até a pensar que aquilo talvez tenha sido obra do Saci Pererê, que vez por outra aparecia lá por aqueles lados,como garantem os criadores de Saci da região.