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Como a indústria automotiva impacta o automobilismo

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  • Publicado: 10/10/2020
  • Atualizado: 10/10/2020 às 10:39
  • Por: Isabel Reis

A performance da indústria automotiva impacta diretamente o automobilismo aqui e no mundo! Cada movimento feito por esse segmento reflete diretamente nas pistas, no desenvolvimento dos carros de corrida, nas novas tecnologias, na criação de categorias, que têm por trás justamente o investimento das marcas de veículos e da cadeia de autopeças.

Com a pandemia, todos os setores sofreram neste ano de 2020. Felizmente que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou números mais otimistas sobre setembro: foi o melhor em produção e vendas. Faltando três meses para o encerramento do ano, as projeções refeitas indicam um cenário menos pior. Até a metade do ano, no auge da quarentena e da imprevisibilidade, as quedas previstas eram de 40% ou mais. Agora estão indicando: 35% na produção, 31% nas vendas internas e 34% nas exportações (autos, comerciais leves, caminhões e ônibus).

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Crescimento de máquinas agrícolas e rodoviárias

Para o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, as projeções são melhores, com crescimento de 5% nas vendas e queda de apenas 4% na produção. Luiz Carlos Moraes, presidente da ANFAVEA, explica: “Não deixa de ser um alívio diante do quadro que vislumbrávamos no começo da pandemia, e creditamos isso sobretudo à gigantesca injeção de dinheiro feita pelo governo federal por meio do auxílio emergencial, que fez a economia girar de forma mais rápida do que o esperado. Mesmo assim, teremos uma queda dramática de todos os resultados da indústria em 2020, ainda que o último trimestre seja razoável como foi o terceiro”.

Luiz Carlos Moraes toma posse como Presidente da Anfavea de olho no futuro
Luiz Carlos Moraes, presidente da ANFAVEA

O relacionamento entre indústria e automobilismo

O automobilismo é a vanguarda da indústria. Mesmo que os profissionais do marketing tenham perdido verba este ano, eles não podem deixar o automobilismo de fora. É no automobilismo que as marcas desenvolvem os seus produtos, acrescentando ainda uma pitada de emoção.

Veja como a Mercedes-Benz rejuvenesceu nos últimos 10 anos, o que tem muito a ver com o sucesso na F1. Vamos lembrar que alguns anos atrás, Mercedes era considerada marca de pessoas mais maduras. Agora ela se tornou objeto de desejo das novas gerações.

Outros fatores também influenciaram nessa mudança de imagem. Como o forte apelo pela inclusão social, com o piloto da Mercedes, Lewis Hamilton, levantando a bandeira da igualdade entre as raças. Ou a marca incentivar a igualdade de gêneros, com o seu Safety Car com o logo do arco íris (We Race As One).

Safety Car com o logo do arco íris (We Race As One)
Autopeças, automobilismo e sustentabilidade

“Marque um ponto, plante uma árvore” é um dos projetos de sustentabilidade da Schaeffler, que usa a experiência adquirida nas pistas para o desenvolvimento de componentes e sistemas. Os pontos marcados pelos pilotos da DTM, como Marco Wittmann, abaixo, serão árvores que a Schaeffler plantará (em colaboração com o Green Forest Fund) para ajudar na proteção do clima e das espécies. A “Floresta da Schaeffler” será plantada perto de Binau, no estado de Baden-Württemberg, na Alemanha.

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O piloto Marco Wittmann pode somar pontos em 18 corridas DTM e adicionar árvores à floresta 
Outras ações ambientais

As ações nas pistas se refletem nos produtos, naturalmente. Mas agora há cada vez mais adeptos para outras causas. Vejam o caso da Audi que está na “pegada” elétrica: a tecnologia da Fórmula E à disposição dos seus carros de produção normal.

Temos outro exemplo com a Peugeot, que em associação com a Total, iniciou o desenvolvimento do Hipercarro elétrico híbrido, cujo design icônico será chamado de “Neo Performance”. O Hipercarro alcançará 500 kW (aproximadamente 680 cv de potência) e terá tração nas 4 rodas. O Le Mans Hypercar” deve competir em Le Mans em 2022.

Peugeot Le Mans Hypercar
Neo Performance: Hypercarro da Peugeot para Le Mans
Categorias e marcas de automóveis

Podemos seguir com muitas outras marcas da indústria automotiva, fortemente envolvidas com competições. Como a Hyundai e seu carro compacto, que reúne grids lotados na sua categoria monomarca do Brasil. Temos a Stock Car com carros Toyota e Chevrolet arrepiando nas pistas e trazendo a emoção do público com marcas, até então, tradicionais.

O novo TCR Sul-Americano, que estreia em 2021, utilizará carros de produção normal tirados da linha de montagem e adaptado para corridas. Eles usam exatamente o mesmo monobloco dos carros de rua e têm um motor real, só que preparado pelas marcas. São 12, 13 montadoras homologadas com mais de 15 modelos.

A indústria envolvida

No rali, o time do Christian Baumgart estreou uma Picape Toyota e vai correr os Sertões. E o piloto Guilherme Spinelli vai novamente participar do Dakar com uma picape Mitsubishi, território natural dessa marca. Sem falar da Alpine-Renault, que será novidade na Fórmula 1 em 2021.

 

Quantas marcas nasceram de seus fundadores correndo nas pistas? Mais do que nunca aqueles que sempre estiveram envolvidos e foram parceiros deste desenvolvimento do automobilismo, precisam agora se fortalecer. E isso será possível por não abrir mão de ações que estão no DNA destas marcas, daquilo que construíram até agora. Afinal, como diz o slogan da F1, We Race As One (Nós corremos como um só, com os mesmos objetivos e com as mesmas aspirações).

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