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  • 07/01/2020
Dakar: brasileiros improvisam volante com ferramentas

Corridas fora de estrada são das mais complicadas por si só. Os terrenos enfrentados, as condições climáticas extremas e o tempo das provas, que duram dias, fazem com que os competidores sejam levados ao limite e sofram com situações inusitadas. Foi isso que aconteceu com Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin, brasileiros que correm o Dakar, maior rali do planeta, nos UTVs. Os dois fecharam a primeira especial da prova, realizada no domingo (5), com um volante improvisado com ferramentas.

O piloto, vencedor da prova em 2018 e atual campeão mundial de Rally Cross Country na categoria UTV, sofreu uma quebra no sistema de direção, tendo a coluna de direção desconectada do carro no quilômetro 166 dos 319 que a especial tinha. Esse sistema é adaptado dos veículos originais para acoplar os volantes de competição. A solução foi usar chaves de fenda e de boca para montar um volante novo.

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“Talvez uma dupla menos experiente e com menos paixão pelo que fazemos desistisse. Mas nós não pensamos nisso um segundo sequer. Nosso foco desde o início foi consertar o problema e ir até o fim”, comentou Varela. “Nessas situações – e já tivemos várias ao longo da carreira – fico espantado com a agilidade do Gustavo de propor soluções”, seguiu o piloto.

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“A coluna de direção e o painel de instrumentos não são originais de fábrica. Trabalhamos muito bem juntos e trocamos a coluna e volante colocados pela equipe. Fizemos uma improvisação com as ferramentas que tínhamos disponíveis. Da minha parte, foi bastante incômodo pilotar com uma ferramenta improvisada como volante. Causou muita dor nas mãos por causa da tensão, do esforço para segurar o ‘volante’ e da trepidação. Nas curvas, devo confessar que dava certo medo. Mas a incerteza faz parte dos rallies, é da natureza desse esporte”, completou Varela.

“Eu já respeitava muito o Reinaldo como piloto, mas hoje a minha admiração cresceu muito. Tivemos um dia dos mais difíceis, mas é um dia pra lembrar para o resto da vida”, iniciou Gugelmin. “Ele pilotou os 153km finais da especial em alta velocidade usando uma chave de fenda como volante – e isso em pleno Dakar, o mais difícil rally do mundo”, seguiu o navegador.

“Depois ainda dirigiu mais 235km do deslocamento final obrigatório por regulamento, que era para chegarmos ao ponto de largada do dia seguinte, em Al Wajh. Acho que o dia de hoje diz muito sobre ele e a nossa parceria. Estamos tristes pelo que aconteceu, mas, ainda assim, orgulhosos do que fizemos”, completou Gugelmin.