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Coluna
O piloto é um bailarino das pistas de corrida

4 Minutos de leitura

  • Publicado: 23/05/2020
  • Atualizado: 23/05/2020 às 12:59
  • Por: Isabel Reis

Sim, o piloto é um bailarino das pistas. Posso dizer isso com segurança porque tenho acompanhado o automobilismo de perto e também porque quase fui bailarina. Sempre tive dúvidas se queria seguir o jornalismo ou a dança. No final, a minha curiosidade com os fatos sobrepujou os movimentos sobre as pontas das sapatilhas.

A primeira vez que pilotei em um autódromo foi em Interlagos. Eu não tinha nada de piloto, ao contrário, estava ali com um carro de rua, durante a sua apresentação para a imprensa. Por sinal, vários modelos de automóveis foram mostrados, ao longo da história, no Autódromo José Carlos Pace.

Com o NSX na pista de testes da Honda. Arte: Thomas Bento
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O piloto bailarino: muito ensaio e concentração 

Como em um balé, dirigir em um circuito requer muito ensaio e concentração. O ronco do motor é a música, só precisamos seguir o compasso. Adiantar o ritmo (acelerar), reduzir (frear), ter agilidade (ultrapassar), interagir com os demais bailarinos (trabalhar em equipe), ter força e resistência (não é simples manter um carro na pista). No final, brilhar sob os pedidos de bis da plateia (aplausos e gritos da torcida).

Vale lembrar que a volta de apresentação da maioria das corridas é considerada mundialmente como um “balé dos carros”, pelo movimento que eles fazem buscando o aquecimento ideal dos pneus! Particularmente, tive a sorte de ver de perto as coreografias geniais de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e de muitos outros talentos brasileiros. Tantos, que nem tenho como listar, para não cometer a injustiça de esquecer algum nome.

Momento inesquecível com Nicola Larini

O meu “Pas de Deux” inesquecível foi com Nicola Larini, na pista da Alfa Romeo, próxima de Milão, Itália. Ele corria pela marca italiana, na época, e pilotou como se fosse a última prova da sua vida. Ao menos, foi assim que eu senti. O muro de cimento passava rente a minha orelha e eu mal conseguia me manter no banco, com o corpo sendo jogado para lá e para cá. Que espetáculo!

Disputa nos autódromos espanhóis

Em Barcelona, Espanha, tive a oportunidade de disputar uma prova no autódromo de Montmeló. Tratava-se de um desafio de economia de combustível, durante a apresentação do novo Chevrolet Corsa. Não era bem o que eu imaginava em termos de emoção. Mas, dane-se, pois eu estava dirigindo em Montmeló, terminando em segundo lugar. Uma injustiça porque o primeiro colocado trapaceou. Essa pista atualmente é a que recebe a pré-temporada da F1.

Mal sabia eu que, anos mais tarde, estaria em uma das minhas melhores coreografias ao volante de um Jaguar XE. O teste do carro, que cuja marca iniciava as vendas no Brasil, foi no circuito de Navarra, que é simplesmente sensacional. Uma das melhores viagens de lançamentos que já participei, sem falar que a região é linda!

Com o Jaguar XE no circuito de Navarra, na Espanha
Outros circuitos internacionais

Voltando um pouco no tempo, em Palm Beach, EUA, rodei no autódromo de Homestead, no lançamento do Corsa com “bundinha”. Novamente foi ótimo, por saber que tantos brasileiros já tinham passado por aquela pista oval. Esse  circuito é praticamente um “quintal” dos pilotos brasileiros da Indy, como Helinho, Tony e Christian Fittipaldi.

Mas adrenalina bacana eu tive no Autódromo do Estoril, em Portugal, no lançamento de uma versão esportiva do BMW Série 5. Muita emoção, dançando ao balanço das curvas acentuadas desse circuito charmoso e tradicional. Esse autódromo foi o palco da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1.

BMW Série 5 que seria avaliado no Autódromo do Estoril
Saudade de Jacarepaguá e de Suzuka

No Autódromo de Jacarepaguá eu dirigi uma versão esportiva do Vectra. Foi emocionante na época. E é triste hoje pelo que aconteceu ao maravilhoso circuito, desativado para dar lugar a um parque olímpico abandonado. Afinal, esse autódromo foi o palco de cinco vitórias de um dos nossos maiores rivais, o legendário Alain Prost.

No circuito de Suzuka, no Japão, foi grande a emoção de dirigir na mesma pista onde os nossos “Nureyev” Nelson Piquet e Ayrton Senna ganharam várias provas. Tudo bem que eu “pilotava” um Toyota Prius. Mas a vida é assim: um dia, “Quebra Nozes”. Outro dia, “Dance Moms”.

Design mais "futurista" pode dividir opiniões
Versão do Toyota Prius apresentada no autódromo de Suzuka

Por falar em carro elétrico, nunca esquecerei do NSX que pilotei na pista da Honda, também em solo japonês. Só que, desta vez, o tal elétrico era um demônio! Um técnico da marca, que ia ao meu lado, ficou entusiasmado ao ver uma mulher acelerar e me incentivava a pisar fundo no NSX, modelo que Ayrton Senna já tinha pilotado!

Famosa imagem de Ayrton Senna lavando seu NSX vermelho
Ayrton Senna tinha um Honda NSX. Orgulho de ter pilotado um modelo de 2015 na pista de testes da marca, no Japão
São tantas histórias!

Ainda no Japão, na pista de testes da Nissan, pilotei o endiabrado GTR. Que delícia se deixar levar pela música daquele motor com 572 cv de potência. Muita concentração e ritmo para manter esse autêntico esportivo no palco, ôps, na pista.

Por hoje já está bom de histórias, apesar que ainda tenho muitas para contar. Afinal, como pode ver na minha apresentação abaixo, tenho mais de 40 anos de jornalismo. De balé, eu teria até mais tempo de experiência, caso tivesse seguido carreira, pois comecei menina. De qualquer forma, as emoções que vivi ao volante de carros maravilhosos, em pistas incríveis, me realizaram tanto como as coreografias mais bem executadas.

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