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Coluna
F1 antes de Senna e depois de Senna

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  • Publicado: 30/04/2021
  • Atualizado: 30/04/2021 às 19:18
  • Por: Venicio Zambeli

O que realmente aconteceu após a morte de Ayrton Senna na Fórmula 1? Exatos 27 anos depois do acidente fatal do piloto brasileiro, 5 tópicos provam que as medidas de segurança tomadas pela FIA após aquele dia transformaram a categoria em uma nova F1 muito menos perigosa.

Ayrton Senna - Foto: Venício Zambeli
Ayrton Senna, Williams Renault, 1994 – Foto: Venício Zambeli

 

Confira o que a batida de Senna mais impactou em termos de segurança – o que modificou totalmente os rumos da principal competição de automobilismo do mundo, daquele 1º de maio de 1994 até os dias de hoje.

 

1- Capacete

O item que protege a cabeça do piloto não foi eficiente na época com Ayrton Senna. O braço de suspensão que se soltou após a batida do carro no muro na curva Tamburello foi projetado na direção da cabeça do competidor. Como uma lança, chegou a perfurar a viseira e a borda do capacete, acertando a cabeça de Senna. Após análises e estudos da FIA no capacete de Senna, o item passou a ter uma homologação mais rígida e um reforço na área vulnerável entre a viseira e o casco.

Capacete - FIA
Especificações da FIA para os atuais capacetes homologados de corrida, com o reforço na região frontal – Imagem: reprodução fia.com

 

2- HANS

Para evitar que o capacete e a cabeça do piloto tivessem movimentos bruscos e muita inclinação exagerada perante os ombros, o peito e o encosto do carro, foi criado o HANS. Trata-se de um acessório obrigatório que protege os movimentos do pescoço em caso de impacto. Lembrando que Senna, ainda sem utilizar o HANS, teve seu capacete prensado contra a parte traseira do cockpit, o que acarretou fraturas graves na base de seu crânio.

HANS FIA
Especificações da FIA para a utilização do HANS – Imagem: reprodução fia.com

 

3- Cabo de restrição de roda

Dos destroços em uma batida forte como a de Senna em Ímola, uma das maiores e mais difíceis partes de se desintegrarem são as rodas e os pneus. No caso de Senna, elas se desprenderam do carro, juntamente com os braços de suspensão, e livres voaram em direção ao cockpit. Para evitar que estas partes fossem lançadas para fora do carro, foram criados cabos ultra-resistentes de restrição para cada roda. Eles as deixam presas ao chassi mesmo após um impacto.

Cabo de restrição de roda FIA
Teste de resistência do cabo de restrição de roda, feito pela FIA – Imagem: reprodução fia.com

 

4- Halo

Outro reforço adotado recentemente foi o Halo, barra que envolve a parte superior frontal e lateral do cockpit dos carros de F1. O Halo tem como finalidade proteger a cabeça do piloto de partes maiores que possam a vir atingir o habitáculo. É possível que no caso de Senna o Halo pudesse bloquear a entrada das peças pneu/roda/braço de suspensão na região do cockpit de seu Williams, que o atingiu em San Marino.

Halo FIA
Halo passa por testes de impacto promovido pela FIA – Imagem: reprodução fia.com

 

5- Barreiras de proteção em muros e guard-rails

Senna bateu direto em um muro de concreto na curva Tamburello. Não houve absorção de impacto que ajudasse a transferência da inércia sofrida pelo carro. Após o acidente, os muros e guard-rails nos circuitos de Fórmula 1 receberam ajuda com as camadas externas de pneus envoltos por mantas de borracha e até SAFER Barrier (barreiras que utilizam molas e materiais que absorvem o impacto do carro em batidas extremas, amortecendo os efeitos do choque).

Barreiras de proteção FIA
Protocolo exigido pela FIA para a aplicação das barreiras de proteção – Imagem: reprodução fia.com

 

Consideração final

Em todo este período, estas evoluções vieram juntas com a adoção de novos circuitos padronizados pela FIA. Eles apresentam áreas de escape mais amplas e adoção de asfalto no lugar de caixa de brita fora da pista, permitindo mais erros dos pilotos sem consequências sérias. Novas regras esportivas e punições mais intensas para manobras arriscadas também foram implementadas. E a utilização de muita eletrônica na ajuda do controle do carro ajudou a construir esta nova era pós-Senna na Fórmula 1 – o que para muitos foi um “divisor de águas” entre a F1 raiz (antes de Senna) e a F1 moderna (depois de Senna).

Ayrton Senna, Williams Renault, 1994
Ayrton Senna, Williams Renault, 1994 – Foto: DPPI / divulgação Renault

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