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Coluna
A delicada situação da Fórmula 1 no Brasil e no mundo

4 Minutos de leitura

  • Publicado: 31/07/2020
  • Atualizado: 31/07/2020 às 9:02
  • Por: Isabel Reis

A Fórmula 1 enfrenta uma delicada situação no Brasil e no mundo. Lá no fundo, todos os envolvidos na sua realização, e todos os amantes da categoria, devem estar se perguntando: qual o futuro do mais importante campeonato de automobilismo mundial?

Esta semana, o assunto em pauta é a não realização do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 este ano. O motivo alegado é o da pandemia, que está bem avançada no continente americano. Entretanto, analisando bem, o Covid-19 continua atacando fortemente outros países que estão no calendário. É o caso da Rússia, da Espanha, da Itália. Ou seja, o motivo é a pandemia ou não?

Arte: Thomas Bento
O custo elevado para realizar o GP no Brasil

Talvez o mais correto, juntando-se à real situação caótica da pandemia, seria dizer que a questão econômica deve pesar bastante. Não é segredo que a logística para realizar uma prova no Brasil é bem maior e mais cara do que fazê-la na Europa, por exemplo. Este ano, pior ainda. Só o custo de transporte aéreo mais que dobrou de preço, nesta fase crítica de 2020.

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Especula-se também, nos bastidores, que a Liberty Media, grupo que comanda a Fórmula 1 e os GPs pelo mundo, estaria interessada em outra proposta de investimento, feita por um empresário brasileiro que não é do setor. Por esse motivo, não teria renovado o contrato com a International Publicity, que organiza tradicionalmente o GP do Brasil e já tem ampla experiência em trazer o GP de F1 para cá. Ou seja, este ano não haveria a prova no Brasil por conta da pandemia. Para o próximo ano, estaria a Liberty aguardando para ver quem coloca mais fichas na mesa?

Novo autódromo no Rio de Janeiro?

Outra suposição é que a Liberty teria se encantado com o aval do Presidente da República, Jair Bolsonaro, para a realização do GP do Brasil de 2021 em um novo autódromo a ser construído no Rio de Janeiro. Entretanto, essa conversa aconteceu antes da pandemia e antes da delicada situação econômica atual. Neste momento, com tantas outras necessidades, a opinião do presidente seria a mesma? Também há comentários que o dinheiro para a construção viria de incentivos fiscais de empresas interessadas. Só que haja rentabilidade para dar retorno a um investimento próximo dos 200 milhões de dólares, segundo os cálculos de alguns especialistas. Perguntamos à Liberty sobre esse assunto e até o momento o grupo não se manifestou.

Uma questão interessante é: qual a lógica de mudar de autódromo? São Paulo tem sediado a prova há 30 anos e o circuito de Interlagos respeita todas as regras internacionais para receber uma corrida desse porte. Além disso, o Governo de São Paulo e a Prefeitura reservam verba anualmente para a infraestrutura do evento. Ao que parece, o GP traz um bom resultado para a cidade, que fica lotada de visitantes nessa época, e ainda deixa um legado ao automobilismo brasileiro por meio de categorias nacionais e regionais que utilizam a pista ao longo do ano.

Autódromo de Interlagos, em São Paulo
A Fórmula 1 no mundo também não está fácil

Vamos dizer que a questão delicada da Fórmula 1 não acontece apenas no Brasil. O que tudo indica, a Liberty comprou um business com royalties futuros, cujos resultados não estariam acontecendo. Segundo nossas fontes, no ano passado o faturamento da categoria foi em torno de 1.3 bilhões de dólares. Aparentemente, a receita deste ano estaria em torno de 300/400 milhões de dólares. Ou seja, o grupo norte-americano precisaria urgentemente levantar recursos para viabilizar o negócio. Por contrato, a Liberty tem o compromisso de entregar um valor para a Fórmula 1.

O futuro a Deus pertence!

Enfim, reunindo informações daqui e de lá, esse seria o real cenário da maior categoria mundial do automobilismo. Renovações de contratos que não se concretizam. Equipes quase quebradas e que reduzem drasticamente os seus custos. Tudo regado à uma dramática situação de pandemia, que não permite público nos autódromos.

Uma coisa é certa: a Fórmula 1 não pode deixar o Brasil fora da sua prioridade. Temos uma história na categoria, com pistas e pilotos legendários, e sobretudo com fãs brasileiros, que detém quase 20% da audiência mundial atual. Por tudo isso, nem agora e nem no futuro o GP do Brasil deveria ser “cancelado” pelo modo mais fácil. A F1 deveria brigar (mesmo) para mantê-lo. Antes que a competição perca a sua essência, o seu DNA – e seja tarde demais até para os que têm paixão por ela.

Quer um conselho, você que é amante da Fórmula 1 e de toda a emoção que o campeonato ainda traz? Vá curtindo um GP após o outro. Sobre 2021, ainda não chegou. Quem sabe até lá tudo se ajeita, inclusive um GP do Brasil possível e lógico.

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