Uma grande surpresa

Contribuidor: RICARDO ZONTA, De Curitiba (PR) 09/12/2016 14:46

Foi com perplexidade que recebi a notícia de que Nico Rosberg não vai mais correr na F1. Não é a primeira vez que um campeão mundial se aposenta logo após alcançar o título. Jackie Stewart fez isso em 1973, mas em situação completamente diferente, chocado com a morte do companheiro François Cevert em um acidente em Watkins Glen, nos Estados Unidos. E Alain Prost deixou a categoria em 1993, mas quando já era tetracampeão. Já forma como Nico decidiu deixar a categoria deixou todo mundo sem saber o que pensar.

O desabafo dele foi curto. Ele deixa a entender que seu objetivo foi sair de cena quando ainda está por cima, mas também revela o quanto foi duro perder para Hamilton dois anos seguidos. Ou seja, para mim deixou claro: o preço que pagou para conseguir ser campeão do mundo foi alto demais. Falo da questão psicológica, da pressão. Passei anos na F1 e passei por muito do que ele deve ter passado. E isso sem estar na posição dele, de líder do campeonato. Ou seja, imagino o quanto o seja difícil. É o "lado b" da F1, que nem todo mundo conhece.

A saída dele, agora, abre uma lacuna. Como ninguém esperava sua saída, a Mercedes ainda não sabe como substituí-lo. As notícias que chegam da Alemanha falam que Pascal Wherlein, que competiu pela Manor este ano, é o favorito. Outra possibilidade é Valtteri Bottas, da Williams. Para mim, o mais preparado. 

A boa notícia é que, se um dos dois pegar a vaga na Mercedes, o grande beneficiado pode ser o Felipe Nasr. Afinal de contas, Wherlein é seu principal concorrente na Sauber. Já se Bottas for o escolhido, abre uma vaga na Williams que pode ser ocupada por qualquer um dos dois. Nada é concreto, já que Toto Wolff disse não ter pressa para definir um nome para o lugar do Nico, mas um alento. Quem sabe a sorte não sopre a nosso favor e a gente consiga ter um brasileiro na F1 em 2017. Vamos torcer.

 

Ricardo Zonta é piloto da equipe Shell Racing de Stock Car. Campeão Sul-americano de F3 em 1995, partiu à Europa no ano seguinte. No Velho Continente, venceu a F3000 Internacional (1997), o FIA GT (1998) e o World Series by Nissan (2002). Disputou 36 GPs em cinco anos na F1. Quinto nas 24 Horas de Le Mans de 2008, está em sua décima temporada seguida na Stock.