Um retorno mais que esperado

Contribuidor: FERNANDO JÚNIOR, De São Paulo (SP) 27/03/2017 11:10

Campeão do Mercedes-Benz Challenge em 2015, Fernando passou 2016 longe das pistas. (Foto: Fábio Davini)

Eu vou voltar a competir depois de um ano longe das pistas. Após a segunda etapa de 2016, sofri um pequeno acidente que deixou algumas sequelas no meu tendão de aquiles. Tive que parar de correr e isso foi bem difícil, pois eu venho de uma família que tem uma relação especial com o automobilismo. Meu pai, por exemplo, correu por vários anos. Ele disputou a prova de inauguração de Tarumã e influenciou meu gosto pela velocidade. Meu filho tem apenas oito anos e, juntos, já estamos fazendo planos para que ele faça sua estreia no kart. Meu cunhado é piloto de provas de arrancada. Então, posso dizer que de várias formas o esporte nos une e nos motiva.

Quando tive que interromper minha carreira, eu era o campeão da CLA AMG Cup e continuava em uma equipe muito forte, a WCR, do preparador gaúcho William Vasconcelos. Na época, seguindo ordens médicas, tive que deixar momentaneamente o esporte para me dedicar à recuperação dos movimentos e, com isso, ficar 100% de novo.

Mesmo assim, não me desliguei completamente das corridas. Como era de se esperar, acompanhei o máximo que pude a temporada passada. Assisti às provas e sempre falava com o William, com quem tenho um ótimo relacionamento. Fiquei feliz ao ver que a equipe vinha bem – como eu já acreditava que iria ser – e quase conquistou o título com o Arnaldo Diniz. Infelizmente, um acidente tirou o Arnaldo do campeonato nas últimas corridas – mas em todos os momentos em que esteve na pista ele sempre andou forte.

Esse desempenho me animou muito para voltar ao campeonato. Por isso, em 2016, como disse, tentei me manter ligado ao esporte. Fiz alguns treinos de kart para “afiar” os reflexos e me dediquei à preparação física. Na soma, acho que consegui um ótimo resultado. Hoje, estou nove quilos mais leve e acho que tenho condição de andar forte já nas primeiras corridas.

Para 2017, eu renovei com a equipe WCR. Foi muito bom reencontrar o pessoal do time. Nós já treinamos em Tarumã e também em Santa Cruz do Sul, ambas aqui no Rio Grande do Sul. São duas pistas bem interessantes que nós conhecemos muito bem – a equipe WCR também é gaúcha. Estes treinos serviram tanto para ajustar nosso CLA para a nova temporada quando para que eu pudesse me avaliar. Fiquei feliz por que andei bem perto do que eu conseguia antes do acidente e isso, claro, também deixou a equipe com um sentimento positivo. Afinal, fomos campeões juntos em 2015 e tínhamos uma ótima perspectiva para 2016, até eu ter que abandonar o campeonato. Nossa meta é continuar de onde paramos.

Um aspecto legal nesse retorno é que o campeonato também estará renovado. Teremos vários estreantes e também um regulamento desportivo que vai tornar a competição mais interessante. Por exemplo, poderemos descartar o pior resultado de uma das sete primeiras corridas, o que vai ajudar a eliminar situações imprevistas que prejudiquem a campanha dos pilotos que brigam pelo título. E haverá ainda um ponto extra para quem cravar a pole, algo que vai tornar a briga pelo primeiro lugar no grid ainda mais interessante – e importante.

Não é preciso dizer que eu e a equipe estamos muito ansiosos para entrar na pista e medir força com os demais competidores. A sensação é de quase que de uma reestreia. Faltam apenas alguns dias para 2 de abril, data da primeira etapa. E o que digo a seguir é algo que, pelo que sinto, poderia ser dito por todo o nosso time em uma só voz: Que venha Goiânia!

Fernando Júnior
Estreou no kartismo em 2001. Entre 2002 e 2009 conquistou 7 vice-campeonatos e 6 títulos de campeão de kart, incluindo os dos Campeonatos Gaúcho, Brasileiro e Sul-Brasileiro. Foi 3º em sua prova de estreia no Mercedes-Benz Grand Challenge (2012), Campeão Gaúcho de Marcas e Pilotos (2010) e campeão do Mercedes-Benz Challenge na CLA AMG Cup (2015).