Um ótimo começo

Contribuidor: ANDRÉ MORAES JÚNIOR, De São Paulo (SP) 20/04/2017 13:59

Meu pai sempre gostou muito de automóveis. Ele fazia corridas, especialmente provas de arrancada, mas ainda não no nível profissional. Anos mais tarde, um amigo meu que compete de protótipos no Rio Grande do Sul me incentivou a correr de kart indoor. Nós começamos a disputar provas juntos e, então, essa brincadeira entre amigos acabou me levando a uma nova carreira.  Hoje, meu sonho é ser piloto profissional em categorias do tipo Turismo na Europa, como o DTM ou o Blancpain GT Series.

Comecei nos karts indoor amadores ainda em setembro de 2015. Um mês depois, comprei meu primeiro kart e, logo em seguida, disputei algumas provas oficiais de kart federado aqui no Interior de São Paulo – eu moro em Americana. Em novembro daquele ano eu já estava testando um Fórmula 1600 do Campeonato Paulista pela primeira vez. Foi tudo muito rápido.

Meu primeiro teste foi no Autódromo de Piracicaba. E foi bem legal, mesmo tendo sido meu primeiro contato com o carro. Os dois meses iniciais da F1600 em 2016 foram os mais difíceis, pois o primeiro desafio foi entender um pouco mais sobre o carro e aprender a trabalhar o acerto. Mas logo após essa fase eu já estava andando na frente. 

Como resultado, no ano passado fui campeão paulista e brasileiro de Fórmula 1600, competindo pela equipe Juka Motors. No total, vencemos 11 das 16 corridas que disputamos – um resultado bastante expressivo para alguém que ainda busca experiência. 

Depois disso, comecei a pensar em qual seria meu próximo passo. Inicialmente, meu projeto era disputar o Campeonato Gaúcho de Protótipos, na categoria P3, com o conhecido chassi Moro. Já estava tudo certo para entrar nesse campeonato quando um amigo me convidou para fazer um teste com o C 250. O carro era da equipe PGL Ensite Racing e foi uma experiência excelente, tanto que meu pai rapidamente mudou nosso foco, que até então estava centrado no automobilismo lá do Sul. 

As provas de protótipo possuem características muito diferentes das corridas do Mercedes-Benz Challenge. Por exemplo, têm duração de três a quatro horas, e exigem um tipo de pilotagem totalmente distinta. Aqui na C 250 Cup você tem que ser muito mais agressivo para defender e conquistar posições, pois as provas são mais curtas, com cerca de 40 minutos. Mas o carro, a equipe e o pacote todo do Mercedes-Benz Challenge se provaram muito interessantes para a minha carreira.

O meu primeiro treino com o C 250 foi muito bom. Eu fui razoavelmente rápido naquele dia, em Interlagos, segundo avaliação da equipe. Eles gostaram do meu trabalho por que mantivemos as condições oficiais, como o peso do carro, para uma avaliação mais precisa. Me dei bem com o C 250 logo de início, pois, que me passou muita segurança. 

O grande momento do ano até agora foi a estreia em Goiânia, na primeira etapa. Eu treinei bastante no simulador, para pagar a mão da pista. Por isso, já cheguei ao traçado com alguma noção do seu desenho e dos espaços. Mas no primeiro treino choveu muito forte – e isso nos tirou a oportunidade de aprender mais sobre o comportamento do carro na pista. Eu gosto de pilotar na chuva – a primeira pole da minha carreira veio nessas condições. Então, foi um treino tranquilo – embora não tenhamos tido condições de coletar dados para o acerto.

O segundo treino terminou com bandeira vermelha e também não ficamos satisfeitos com o ajuste que tínhamos. Tanto que na tomada de tempos, usando aquele acerto, eu fiz apenas o sétimo tempo, tomando 1s5 do pole position. Fiquei chateado, claro, mas automobilismo é assim mesmo. A equipe trabalhou bastante na madrugada do sábado, e eu ajudei ao máximo que pude passando todas as informações e opiniões sobre o comportamento do carro em cada trecho. 

Para a corrida, arriscamos usar um acerto totalmente diferente. Acho que deu resultado, pois terminei em segundo, a melhor posição de um estreante na primeira etapa. Faltou pouco para a minha primeira vitória. Uma grande novidade para mim é o estilo de largada do Mercedes-Benz Challenge: pela primeira vez competindo com carros, fiz uma largada comandada pela equipe via rádio. É algo bem específico: você tem que ficar concentrado no que diz o seu comando na equipe, pois eles ficam de olho no semáforo de largada e avisam imediatamente quando a prova começa. Essa é uma técnica muito usada nos EUA, onde a largada lançada é tradição. Na nossa equipe, o Jefferson Pereira é quem me dá o comando de largada. 

Em Goiânia, nós abrimos o rádio no meio da volta de apresentação – mas já tínhamos tudo ensaiado previamente. O Jefferson ia sinalizando assim: “Espera... espera...”, para eu ter calma e manter distância do carro da frente. Essa distância é importante, por que você cria espaço para acelerar forte e chegar embalado na freada. O problema é que todo mundo tenta fazer isso, e lá no meio do grid a sensação é a de estar em uma sanfona, com os carros se aproximando e distanciando uns dos outros continuamente – e você precisa se concentrar para manter o espaço ideal. Quando a luz de largada apagou, o Jefferson deu o comando: “Vai! Vai! Vai!”, uma versão brasileira do “Go! Go! Go!” dos americanos. É uma tremenda adrenalina. 

Eu larguei bem, ganhando uma posição. Caí para sétimo novamente, mas quatro voltas depois ultrapassei o carro que estava à minha frente e não me deixava desenvolver um ritmo mais forte. Quando comecei a abrir distância dele, procurei não tirar o foco da pista – evitava ao máximo falar ao rádio. No momento em que abriram o box para a parada obrigatória, decidi ficar na pista um pouco mais por que tinha caminho livre à frente – e dessa forma pude andar o mais rápido possível sem interferência de outros carros. A estratégia deu certo, por que eu consegui me aproximar dos líderes Marcos Paioli e Claudio Simão. 

O segundo lugar em uma categoria de pilotos experientes e rápidos como a C 250 Cup foi um ótimo resultado. Subir ao pódio logo na estreia foi sensacional. E fiquei bastante animado também com a boa sinergia que consegui com a equipe PGL Ensite Racing. Automobilismo é um esporte coletivo e, pelo visto, nosso time começou muito bem. Espero voltar a escrever para vocês neste espaço em breve. E com novidades ainda mais legais que estas que contei aqui. Um abraço a todos e obrigado pela torcida!

André Moraes Júnior
Piloto de Americana (SP), aos 17 anos é o mais jovem competidor do Mercedes-Benz Challenge. Campeão Paulista e Brasileiro de Fórmula 1600 em 2016, estreou na categoria C 250 Cup pela equipe PGL Ensite Racing obtendo o segundo lugar já na primeira corrida, em Goiânia (GO).