F1: Quanto cada equipe gastou por ponto em 2016

Contribuidor: RAFAEL LIGEIRO, Da Motorpress, em São Paulo (SP) 01/01/2017 11:00

Ferrari "gastou" mais de R$ 3 mi por ponto em 2016. (Foto: Sutton Images)

A revista inglesa Autosport divulgou nessa semana um relatório financeiro das equipes de Fórmula 1 na temporada 2016. Como sabido, a categoria é um universo de quantias astronômicas, surreais. Portanto, não causa espanto verificar que quatro times gastaram, apenas no ano passado, mais de € 200 milhões (R$ 684 milhões); também não impressiona o fato de o budget das 11 escuderias juntas superar a faixa dos € 2 bilhões (R$ 6,84 bilhões).

O que surpreende, de fato, é ver o aproveitamento desses investimentos por parte dos times.

De acordo com a publicação inglesa, a Ferrari teve o maior orçamento da Fórmula 1 em 2016: € 386 milhões (R$ 1,32 bilhão). Nas pistas, o rendimento, convenhamos, esteve muito longe de encantar aos tifosi: somente 11 pódios e nenhuma vitória nos 21 Grandes Prêmios do certame passado. Foram 398 pontos, pouco mais da metade da Mercedes.

Se dividirmos o orçamento anual pela pontuação conquistada, concluímos que cada ponto “custou” à Ferrari a bagatela de aproximadamente € 970 mil (R$ 3,317 milhões). Nesse quesito, o time italiano, terceiro colocado entre os Construtores, seria apenas o quinto em 2016.

A campeã de eficiência, lógico, foi a Mercedes. Dona do segundo maior orçamento da F1 (€ 310 milhões, ou R$ 1,06 bilhão), a equipe alemã somou 765 pontos, algo que confere um “valor” aproximado de € 405 mil (R$ 1,385 mihão) por ponto. A Red Bull vem logo a seguir, com € 538,5 mil (R$ 1,841 milhão) por ponto.

Outro destaque no ranking de eficiência financeira é a Force India. Detentora do terceiro menor orçamento da Fórmula 1, a equipe arrematou o quarto posto no Mundial de Construtores. Cada ponto “custou” € 606,9 mil (R$ 2,075 milhões). Ou seja, praticamente 40% mais barato que a Ferrari. Quase uma liquidação pós-Natal para queimar o estoque.

Até mesmo a Williams, dona de um desempenho irregular em 2016, superou a Ferrari. Com um orçamento três vezes inferior ao da adversária italiana, a equipe inglesa “pagou” € 891,3 mil (R$ 3,048 milhões) por ponto na temporada passada.

Para a Ferrari, ao menos cabe como alento ter sido bem mais eficiente que duas adversárias históricas. Ainda encarando um processo de evolução com os motores Honda, a McLaren pagou € 2,855 milhões (R$ 9,765 milhões) por ponto; já a Renault, em seu retorno a Fórmula 1 desembolsou nada menos que € 22 milhões (R$ 75,24 milhões) por cada um de seus oito pontos em 2016.

Entre as demais, Toro Rosso e Haas confirmaram a condição de equipes intermediárias. O time satélite da Red Bull foi o sexto com menor custo por ponto: € 1,857 milhão (R$ 6,35 milhões); o norte-americano, oitavo, com € 4,178 milhões (R$ 14,29 milhões). Quantia até reduzida em conta o fato de ser estreante na categoria.

Por fim, as duas equipes menos eficientes logicamente foram Sauber e Manor. Os dois pontos do time suíço em 2016 “custaram” € 55 milhões (R$ 188,1 milhões) cada. Já a adversária inglesa, com seu orçamento de € 100 milhões (R$ 342 milhões), não passou em branco graças ao pontinho obtido por Pascal Wehrlein, com a décima posição no GP da Áustria.

Vale lembrar que os dois pontos conquistados por Felipe Nasr, na penúltima etapa do ano, em Interlagos, asseguraram o décimo lugar entre os Construtores à Sauber, posição que é bonificada pela FOM com € 40 milhões (R$ 136,8 milhões).

Santo Nasr...

 

Rafael Ligeiro é jornalista e publicitário. Estreou na Comunicação em 2002, como colunista de automobilismo, esporte do qual é fã desde sua infância. Possui mais de 600 artigos publicados em veículos do Brasil e do Exterior, para segmentos como esportivo, científico e literário. Editor executivo do site RACING ONLINE desde junho de 2016, acumula ainda passagem por agências de publicidade.

 

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